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segunda-feira, 30 de maio de 2011

RFID: ainda não, mas até quando?

O RFID ou identificação por radiofreqüência não está diretamente na lista Top 10 do Gartner como “Tecnologias Estratégicas para 2011”, porém sua presença é citada quando se fala da “computação ubíqua”, na qual a tecnologia estará embutida em todos os equipamentos e “coisas” com as quais nos relacionamos. O RFID é, ainda, uma tecnologia visionária ao permitir que “coisas” possam ser rastreadas e controladas a distância. Mas, definitivamente, ainda não é algo comum ou utilizado em larga escala no Brasil.


“A rastreabilidade e o RFID estão maduros. Alguns nichos, de empresas mais sofisticadas e ainda as de logística, como a DHL, utilizam a plataforma. Para as demais é algo incipiente”, aponta Luis Villela, diretor de marketing e negócios da NEC Brasil. Uma das barreiras à RFID apontadas pelo mercado é considerada mito para o executivo: o preço da etiqueta em comparação com o código de barras. É lógico que o RFID é mais caro, porém para alguns produtos e processos o valor passa a ser irrisório por conta do controle e diminuição de perdas ou ainda na combinação com outras tecnologias (Veja também o Box Voice picking e RFID).

“É uma tecnologia cujo valor ainda não é percebido como deveria. Mesmo o custo diminuiu bastante nos últimos anos e a visão de setores do mercado não mudou”, aponta Villela. A questão do valor gera projetos com ganhos específicos para quem os patrocinou. O executivo cita o Hospital Israelita Albert Einstein como uma possibilidade de reversão dos preconceitos do mercado.



Tá rastreado

O projeto de rastreamento de ativos no Einstein, montado pela NEC, é considerado o primeiro do gênero na América do Sul com uma solução de RFID. Ele permite a localização de equipamentos médicos, além de monitorar e gerenciar a temperatura das geladeiras. Iniciativas que desocupam os profissionais da área e ampliam a capacidade de controle sobre a utilização dos recursos.

O projeto, que teve início em meados de 2009, foi customizado de acordo com a demanda do hospital e na primeira fase da implementação trabalhou junto ao sistema de controle de temperatura das geladeiras e na localização de um conjunto de 500 equipamentos médicos, que funcionam por meio da rede sem fio do próprio hospital – infraestrutura que também foi implementada pela NEC.

Com a solução, o processo de controle das temperaturas das geladeiras se tornou automático. Nas geladeiras foram instaladas tags -- as etiquetas com dispositivos eletrônicos para medição e transmissão de informações digitais – que medem constantemente a temperatura das geladeiras e estão ligadas a um software que realiza todo o gerenciamento. Caso haja alguma anomalia, o sistema envia alertas instantâneos aos responsáveis.

Já a solução de localização de equipamentos permite maior organização do fluxo de materiais, como bombas infusoras e monitores multiparamétricos. Em cada um dos itens também é instalada uma tag, que indica a localização e as condições de cada instrumento. A tecnologia faz o mapeamento da movimentação dos equipamentos via rede sem fio, diminuindo o tempo de procura dos instrumentos e evitando perdas. O sistema também é capaz de gerar alertas sobre a situação de cada material e avisar aos gestores quando os objetos estão indisponíveis, se estão na etapa de higienização ou de manutenção.

Além de conhecer o seu legado, o objetivo de evitar perdas ou extravios de ativos foi alcançado pelo Einstein, que também pensou em uma evolução. “Eles também queriam rastrear bisturis, mas não valia a pena. Com o RFID não podemos trabalhar com produtos descartáveis ou de manuseio complexo como os bisturis, e é preciso fazer as contas para medir o retorno”, garante Villela.



No pneu e na estrada

Na última década, a Bridgestone Bandag investiu no Brasil mais de R$ 5 milhões em softwares para gerenciamento de frotas, como o uso de chips de rastreabilidade. Com essas soluções, a empresa espera crescer 30% no número de clientes assistidos até 2012.

A tecnologia é composta por um chip e por uma leitora que recebe dados via sinais de radiofrequência e os transmite para outro periférico portátil via sinal bluetooth, organizando-os em um banco de dados. Considerando uma frota composta por 500 pneus, o investimento total da solução é de R$ 10 mil. O chip é fixado no pneu por meio da vulcanização química, um processo que permite a perfeita união de componentes de borracha em temperatura ambiente, fazendo com que as partes se unam permanentemente como uma única peça. Tudo isso sem ter que desmontar absolutamente nada.

Entre as soluções em software oferecidas pela Bridgestone Bandag além do chip, destaque para o Survey, o Controlban, o Profrota e o DAPM. E entre as mais de 5 mil transportadoras que utilizam a solução da Bridgestone no Brasil, a Transpérola, de Goiânia/GO, é um exemplo bem sucedido. “O Profrota nos possibilita mais controle e menos custo. Sem o software, tínhamos cerca de 300 problemas com pneus por mês. Hoje, esse número caiu para 18”, afirma Eduardo Paganini, diretor executivo da Transpérola.

Com foco no varejo, a empresa gaúcha NL Informática inaugurou no final de 2010, em sua sede em Caxias do Sul, uma loja modelo com a tecnologia RFID. O objetivo é demonstrar as possibilidades de uso dessa tecnologia no ambiente de vendas e na retaguarda de loja.

O sistema identifica automaticamente os produtos por meio de sinais de rádio e armazena os dados em um coletor. O objetivo é fazer com que as cadeias de varejo conheçam a sua aplicabilidade e os avanços possíveis em processos como a diminuição de filas, controle de estoque e logística menos custoso e mais precisa. A empresa conseguiu um financiamento no Finep para continuar o processo de pesquisa e “catequização” do mercado.

Para o executivo da NEC, a demanda mais viável de ser atendida no curto e médio prazo é a de controle de ativos. “Isso terá mais investimentos e logo atrás vem o supply chain”. No entanto, o problema maior ainda é o custo, mesmo com os tags com um preço mais em conta. E mostra descrença com o foco da NL. “Uma empresa de varejo precisa que todos os fabricantes trabalhem com RFID, senão ela terá dois tipos de controle, dois sistemas operando e será necessária a integração entre eles, o que gera mais custos”, completa Villela.



Voice picking e RFID

A conjunção entre “voice picking”, ou coleta de dados por voz, e RFID nas atividades logísticas pode parecer ficção, mas não é! Pelo menos é o que garante Wagner Bernardes, diretor de marketing e vendas da Seal Tecnologia, em um artigo sobre novas tecnologias logísticas.

Veja o trecho no qual ele cita as duas tecnologias atuando em conjunto: “um grande benefício do voice picking é a capacidade de integração com o RFID. Isto ocorre a partir da incorporação de um leitor portátil de tags RFID ao terminal de voz, o que possibilita a comunicação entre essas etiquetas e os comandos de voz. Desta forma, o sistema “lê” e “fala” ao operador as ações a serem tomadas, ao mesmo tempo em que se encarrega de transmitir informações ao WMS (aplicativo de gestão específico para depósitos)”, relata Bernardes.
 
Fonte: TI INSIDE

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